Então, meus amigos, Riward se depara com um misterioso objeto em suas mãos, que, bem ou mal, salvara sua vida. Não conseguia conceber alternativas para o que fazer a partir daquele momento, nem morrer estava no leque de suas opções. Tudo que tinha era uma espada, o livro e um cavalo. O que de fato necessitava era transpôr aqueles majestosos portões. Naquela noite imaginava que não teria como entrar, então esperou o amanhecer,pensou que se fossem morrer naquele momento , matariam na hora, não levariam até a cidade. Dormia sobre a relva, usando o livro como travesseiro.
Ao nascer do sol Riward despertou, estava com fome, encontrou uma lagoa e pescou um peixe, cravando a espada,como um arpão, juntou uns galhos secos e os queimou,para assar seu café da manhã, enquanto o fiel cavalo pastava. Pela estrada, passava uma carruagem em direção à Enuria . Riward viu sua oportunidade de entrar em sua antiga cidade para salvar Agromir. Levantou-se colocou a espada na bainha das costas, com uma mão levava o livro e outra puxava o cavalo. Tentou se aproximas amigavelmente da carruagem pedindo carona . O coxeiro, desconfiado, grita:-Sai fora,ladrão, eu não caio nesse golpe. Riward decepciona-se ao ver novamente os portões abrirem e fecharem diante de seus olhos, sem chance de entrar. A mesma reação foi repetida por todas duas outras tentativas subsequentes, Riward irrita-se, queria mais que bandidos atacassem os insensíveis cocheiros.
Nunca uma maldição sua tanto o abençoou. Certa feita, uma quarta carruagem cruza a estrada para Enuria e pouco antes de passar em frente ao Espadachim, dois saqueadores cercaram-a, pois aparentava mais carregada de ouro. O condutor, rendido, desesperou-se,pois de fato estava muito carregado e não tinha como reagir. Para sua surpresa, outro cavaleiro cruza o caminho e com uma folha de aço cruzou as carnes de um dos bandidos. O pavor tomava conta do coxeiro, temia que fosse um bandido mais cruel, no entanto, era Riward, que desafiava o outro agressor, após a violenta demostração de poder. O ladrão, iria dar as costas para fugir,mas não teve tempo. Ninguém escapava do instinto protetor de Riward. Ele guarda a espada e pergunta:- Senhor, perdoe-me pela cena que presenciou, não pude evitar de deixar que esses covardes cometessem tal abuso. O Condutor agradece:-Muito obrigado, guerreiro,quem é, de onde é? o que posso fazer para retribuir?O Espadachim solicita:-Geralmente não peço nenhuma recompensa, só gostaria de uma carona para a cidade, pode amarrar meu cavalo para melhorar a tração. O coxeiro estranha a proposta do seu salvador e indaga:-Porque não vai com seu cavalo?Riward vê-se obrigado a revelar sua identidade:-Bem, sou Riward, da Tribo dos Espadachins e preciso entrar na cidade escondido, para poder salvar meus irmãos. Se importa de carregar um forasteiro? Prometo não lhe fazer mal. O ancião proprietário da carruagem, de cabelos e bigodes grisalhos, olhos claros, estatura mediana,com vestimenta urbana, não muito sofisticada, sorri e responde:-Meu amigo,sempre tive curiosidade em ver um Espadachim de perto, vocês são muito falados na cidade, as lendas dizem que seus braços são da espessura de uma perna de um homem comum, e conseguem matar 50 homens sozinhos, meu nome é Eoriel,comerciante e pensador nas horas vagas, posso te ajudar.
Dessa maneira, Riward é acomodado dentro da carruagem, carregada não de ouro, mas sim de livros, parecidos com o que havia encontrado no chão. E vários quadros, mostrando cenas de batalhas e paisagens bonitas, claro que nenhuma se comparava ao Vale dos Espachins. O jovem comenta:-Eoriel, eu encontrei um parecido com os seus na rua, olhe aqui. Eoriel para o veiculo e olha para a câmara de Riward que ergue o livro para o condutor, Eoriel emociona-se:-É uma relíquia, perdi a muito tempo! Muito obrigado Riward, como foi parar nas suas mãos? Riward informa:-Encontrei perdido na estrada. Eoriel fica muito agradecido com o achado, estava devendo mais um favor ao heroico guerreiro. Pediu que enquanto a viagem seguisse contasse a sua história. Pouparei-os de repetir tudo que já foi dito até ali. Eoriel, maravilhou-se com a trajetória daquele jovem espadachim, antigo morador da cidade que voltaria naquele momento. Mal poderia imaginar Riward o que encontraria além dos portões de pedra.
Enuria não lembrava nada da época do pequeno “Menino Praga”, não havia semelhança alguma, haviam casas grandes e estruturas rígidas, diferentes dos casebres de palha de sua época. Não encontrava tantas plantações, no entanto muitas feiras movimentadas, apenas , do lado de fora dos portões uma imensa plantação exclusivamente de trigo. Riward depara-se com uma Enuria mais moderna,e mais fria, apesar de suas lembranças não muito calorosas.
A carruagem chega à casa de Eoriel,arejada e confortável. Ambos descarregaram o seu conteúdo. Os três cavalos pastavam descansados. Eoriel carregava o livro de Riward com as duas mãos ao peito, tinha muito apreço à obra. Ao adentrarem a casa percebe-se o quanto Eoriel era amante da arte e da cultura: quadros por toda parte, imensas estandes de livros, até algumas esculturas. Riward contemplava com um misto de dúvida e admiração;imaginava a dificuldade que exigia tal trabalho. Porém o que mais impressionou o espadachim não foi as obras de artes feitas à mão humana.
Depois de ajudar Eoriel a guardar sua preciosa carga cultural, o vendedor oferece-lhe um chá e uns biscoitos, Riward, apesar de já ter comido o peixe, não negava que ainda sentia fome. Eoriel então convoca:-Sazania! Passos delicados desciam as escadas, um perfume suave encantava o ambiente, surgia diante de seus olho uma bela jovem,beirando os vinte anos de estatura mediana, com olhos verdes como esmeraldas, cabelos intensamente vermelhos,bem vestida e apesar da vantagem do espartilho, era evidente que seu corpo era um convite à perdição de qualquer homem. Para intensificar seus atributo, seu sorriso surreal,sua voz delicada, e sua postura humilde e atenciosa provocavam sensações o jovem Riward.
Eoriel apresenta:-Está é minha filha, Sazania, este é Riward, um espadachim que salvou minha vida, por favor querida comprimente-o. Ambos apertam as mãos, ela ergue a mão, ligada à dele até o rosto de Riward, ele vacila. Eoriel alerta:-Riward, beije a mão dela. Riward exita uma fração de segundos e ,finalmente,beija a mão da menina,que não era costume na Tribo dos Espadachins. Eles sorriem um ao outro,Eoriel balança a cabeça com prazer, e chama a atenção da moça:-Por favor, minha filha, me ajude a fazer um chá ao guerreiro. Riward, espere aqui,em frente à lareira.
Após o prepara do lanche, os três sentam à mesa principal e comem juntos e conversam, Eoriel conta os feitos de Riward, misturando ora fatos verídicos, ora as lendas sobre a tribo dos espachins.Sazania observava quieta cada movimento de Riward, imaginava que se tratava de um completo brutamonte, mesmo não dominando a etiqueta da cidade, era um homem distinto e respeitoso às damas, mais atencioso que a maioria dos habitantes da cidade. Riward,sempre tomado pela curiosidade pergunta:-Eoriel, afinal o que era aquilo que encontrei com símbolos estranhos? Que era tão valioso? Eoriel responde:-Um Livro, um raro tratado sobre filosofia, e da ação do homem sobre o meio.Riward, menos esclarecido indaga:-Afinal para que serviria um tal de “livro”, o que é filosofia? Eoriel pensa um pouco e define:-Livro é tudo aquilo que podemos ler e que nos faça pensar e refletir, e filosofia é justamente o pensamento sobre o ser e o mundo. Riward entende e interroga o porque daqueles símbolos,Eoriel, percebendo a condição de excluído do processo de alfabetização explica:-Justamente por meio desses símbolos que captamos a mensagem do livro, bem precisamos trabalhar agora, venha conosco, apenas ponha esse manto, não quero que saibam que é um Espadachim procurado,à noite posso começar a te ensinar a ler.
Riward então veste o manto, cobrindo seu rosto e sua identidade, porém sua espada ainda estava visível, Eoriel ofereceu-lhe um embrulho de couro, e solicitou para usá-la como bengala,dessa forma, ninguém desconfiaria que a bengala do velho comerciante seria uma poderosa espada, da qual passaria a Riward caso fosse necessário. Os três entram na carruagem, carregando as mercadorias, Eoriel vendia de tudo, desde grãos e frutas até roupas e utensílios metálicos. Ao chegarem à feira central, descarregaram a carruagem e colocaram os produtos à banca. Tudo era novo para Riward,ele não tinha ideia alguma sobre a lógica do mercado:Vários feirantes parados,oferecendo de tudo um pouco. Ao passo que seguiam as vendas, percebia um processo de constante troca de produtos por rodelas douradas,estas que ele via em pouquíssima quantidade na sua infância em casa,mas a maioria ia para o tal do “Imposto” que ele nunca havia entendido de fato o que era. Tinha tantas interrogações, mas tinha vergonha de perguntar ao seus hospedeiros.
Certa feita, Riward identifica a única coisa que ainda se mantinha na nova Enuria: no meio da rua das feiras passava-escoltado por cavaleiros blindados e carregando escudos coloridos, tais como os invasores do Vale dos Espachins- com uma celestial manta branca, um cajado cor de cedro, com um círculo com saliências na ponta(semelhante a um sol) na mão e ostentando uma alta e majestosa mitra: Era Torcor, passando e benzendo a todos. Riward facilmente remonhece o Sacerdote, perce-bendo que a Ordem Sacra apenas cresceu nos anos que viveu com a Comunidade ,esperava ser bem recebido por ele, caso lembrasse do amaldiçoado menino. Riward pede a Eorielpara visitar o religioso, ele permite, desde que tome cuidado, e entrega a “bengala, a qual Riward levava consigo, debaixo da capa. Sazania preocupa-se com a integridade do novo amigo:-Volte o mais rápido que puder. Riward, com seu cavalo, antes de partir olha pra trás e dá um sorriso à jovem.
Riward segue a comitiva de Torcor ,de longe, até verificar a entrada do sacerdote no Templo da Ordem, única construção sobrevivente à invasão de Treom,não só sobreviveu, como também está ampliada e decorada,o Espadachim imaginou, por um instante, que os saqueadores eram, religiosos
e tementes aos deuses. o guerreiro desmonta do seu cavalo e amarra-o na entrada, próximo ao gramado, oferecendo ao fiel equino pasto de qualidade. Riward enta no templo e não se benze, tal
como fazia quando pequeno, caminha pelo vasto corredor, o teto, coberto por uma gigantesca abóboda e as paredes repletas de vitrais causavam um efeito mágico, próprio de uma experiência miraculosa. Torcor havia prosperado, não sabia como. Como não era horário de culto, supôs que
encontraria o religioso na sacristia. Bateu a porta, uma voz, do outro lado questiona:-Quem é?
Riward desafia:-Um velho conhecido teu. A voz repete:-Quem é? Riward então resolve identificar-
se:-Sou o Menino Praga! Torcor,surpreso abre uma fresta na porta da câmara e se depara com um homem adulto, alto, e forte, que revelava seu rosto,Torcor , perplexo, grita:Só pode ser um milagre ,meu filho, Riward, como sobreviveu todo esse tempo? O jovem diz:-Podemos ter uma pa-
lavra lá dentro? O sacerdote concorda com a cabeça.
Dentro da sacristia-a portas fechadas- o diálogo é retomado. Riward narra, brevemente seu passado:-Eu fugi no dia do ataque,para o bosque,fui salvo pelos Espadachins e criado por eles, agora eu que pergunto, como sobreviveu aquele caos? Torcor chocado responde:-De fato eles não tiveram a audácia de invadir o templo, eles são cruéis, mas sabem que com os deuses, não podem. Conte-me, esses bandidos te maltrataram tanto assim? Riward replica:-Nada demais, fui salvo pelos
Espachins. Torcor ,exaltado, replica:-É justamente a esses bandidos que me refiro, esses bárbaros da montanha.Riward inconformado treplica:-Pelo visto não conhece-os, tive uma vida tranquila e pacífica lá,eles me deram abrigo e família, até aprendi a brandir a espada. Torcor afasta-se e ergue a mão em posição de bênção:-Meu filho, eles te induziram ao pecado. Até esqueceu dos teus pais verdadeiros. Riward, muito preocupado, pois a anos não tinha notícias deles questiona:-O que sabe sobre eles? Torcor segura o ombro do jovem e revela:-Eles foram mortos covardemente naquela noite, estavam a tua procura, e tu sumiste no mato,que desprezível. Riward sente os punhos serrarem, mas contêm-se,é o único elo que tem com seu passado e faz uma última indagação:-Sabe onde estão os espadachins de ontem?Torcor , com o mesmo olhar para Riward no dia em que peitou sua autoridade,aos gritos:-Seu mal-agradecido, os cavaleiros te libertaram daqueles bárbaros infiéis e ainda quer saber sobre eles, eles estão na cadeia, onde apodrecerão para sempre... Riward dá as costas ao religioso enquanto prosseguia sua ladainha. Torcor brada, antes que o espadachim deixasse o Templo:-Tem de voltar aos cultos, me deve oito anos de sacas,está endiabrado menino, vá de retro! Riward ignora.
Enquanto isso, na feira, passava outra figura célebre. Outro homem ,cercado de zelosos cavaleiros, vestia uma lustrosa armadura, que refletia os raios solares, vestia uma capa azulada de fino tecido,carregava em sua cintura um longo,fino e afiado florete,olhos negros e profundos,tinha curtos cabelos e barba negra ,montava um grande cavalo negro, tão blindado quanto seu condutor,era ninguém mais, ninguém menos que Lorde Gojak, um ex-militar e atual governante de Enuria.
Ele cavalgava orgulhosamente pela feira central, com um sorriso prepotente, à sua óptica, tudo que estava ao seu redor,legitimamente lhe pertencia. Do outro lado,chegava outra comitiva monta-
da liderada por homem armadura, ostentando uma temível alabarda e um escudo colorido com símbolos da nobreza. Parou em frente a Gojak,retirando o elmo, e prestando continência ao seu senhor. Gojak, saca seu florete, levanta ao céu e dá o pronunciamento:-Meus súditos e minhas súditas,nesta gloriosa data, que todos aqui testemunham eu nomeio o Comandante Treom, aqui presente, diante de seus olhos como General e Guardião Permanente da Pátria de Enuria! Em honra
ao mérito do sucesso da missão de ontem à noite, no sucesso da incursão ao perigoso Vale dos Espadachins, voltando com vida e capturando os principais líderes daqueles bárbaros que renegam a
fé e a civilização...
Longe dali, mal imaginando a cena que deixou de presenciar Riward procurava a cadeia, queria ver seus pais,os que ainda pudessem estar vivos, e seus companheiros da aldeia. pediu informações pelas ruas, e com um pouco de paciência, o cavaleiro solitário localiza o presídio. Ao entrar se identifica ao guarda local e diz que quer visitar um parente, sem identificá-lo,o guarda, educada-mente, conduz até o corredor onde podia-se ver as celas. O espadachim examina o rosto de cada um dos prisioneiros, tentando identificar algum companheiro. Havia de tudo naquele cárcere: ladrões, assassinos ,tarados, bêbados ,vagabundos, caloteiros ,rebeldes e no final do corredor, acorrentados, os espadachins. Na cela havia, no máximo 10 pessoas, entre elas, Agromir, Madelia e alguns dos espachins sobreviventes do massacre, com visíveis sinais de chibatadas pelo corpo. Riward salda-os, Agromir fita o jovem pupilo, lacrimejando e diz:-Riward, graças, conseguiu escapar, como chegou aqui, olha o risco que correu!Madelia, ainda mais emocionada:-Meu filho!que bom saber que está vivo. Não deveria estar aqui. Riward, com seu sorriso indubitável e seu olhar de certeza profere:-Comunidade é o conjunto de todos os habitantes da aldeia que formam uma grande família que um sempre apóia o outro,nós dividimos tudo que temos,sempre estendemos a mão aos camaradas,estamos sempre unidos, homens, mulheres, crianças,no trabalho, no descanso,na festa,na batalha ,assim superamos tudo. Não esqueci disso, vou salvar vocês agora.Agromir interrompe:-Pare com isso moleque, como pensa que vaio nos libertar sozinho, nós somos dez, eles tem no mínimo centenas. Precisamos de um plano de fuga, não desperdice sua liberdade, para ser preso conosco, não tenha pressa, estamos bolando um meio de fugir. Se esconda imediatamente antes que descubram que é um de nós, eles disseram que essa prisão é de um mês, atélá nada nos acontecerá. Riward, tentando engolir a negativa se despede dos camaradas e se prepara para se retirar com a certeza que salvaria-os custe o que custasse.
Riward retira-se da prisão, o guarda suspeita do vistante. Concomitantemente, longe dali,Gojak se aproxima, a cavalo, da banca de Eoriel, olha cada produto com o ar de quem fosse comprar.Eoriel,ousadamente pergunta:-Posso ajudar,Vossa Excelência?O aristocrata ,do alto de seu pedestal,retruca:-Pode, quanto custa aquela fruta ali,bem nova,bem vermelha,bem sadia,bem macia... Apontando para Sazania. Antes que Eoriel articulasse alguma frase Gojak prosseguiu: -Sim, esta mesma, que agora parece mais vermelha ainda,te ajudo, ela vale 6000 moedas de ouro. É o que senhor me deve a anos,duvido que tenha outra forma de pagar. Dê graças que estou
comprando,pois tudo que vejo, dentro dessas muralhas me pertence,inclusive sua vida....Gojak aponta a espada ao pescoço do comerciante e conclui:-O casamento está marcado para mês que vem,fui claro?Se não for paga,sou obrigado a cobrar juros,me deve até o pescoço,e depois do juros, nem isso vai sobrar. Boas vendas.
Riward retorna à feira e ,obviamente, o pavor no olhar de seus novos amigos, e ,naturalmente,
indaga a situação. Eoriel preferiu fechar a loja, já venderam o suficiente, solicitou ao guerreiro, com seu braço forte, ajudasse a desmontar a banca e amarrar o cavalo junto aos outros dois. Sazania
manteve-se em silêncio o tempo todo. Riward tinha preocupações demais. Como se não bastasse
a missão de resgate,tinha que manter o sigilo de sua identidade, e proteger seus protetores da tirania
de Gojak,porém para isso teria que passar pelo seu maior pesadelo de infância, que até aquele dia
pensava estar morto:Treom.
Chegaram à casa de Eoriel. Riward esperava o jantar,fazendo apoios e praticando movimentos de espada. Quando o jantar foi servido Eoriel,então,revelou a ameaça de Gojak e
a condecoração de Treom. Riward,abismado, protesta:-Como, Treom? O mesmo homem forte
de cabelos raspados,barba longa e trançada que se atirou da cachoeira, eu vi ele morrer!Não pode ser!Ele quem sequestrou o mestre, não posso aceitar! Sazania ressalta:-O próprio, nos falou sobre ele, a descrição,a arma e o nome encaixam,só pode ser. Esse Gojak asqueroso...mas preciso fazer isso, para salvar meu pai. Riward cerra o punho e diz:-Não! Eu mato o Treom, mato o Gojak, mato todo mundo, só não aceito que façam isso com vocês que são inocentes. Eoriel, na tentativa de amenizar,pergunta:-E como foi sua saída?Disse que iria encontrar um velho amigo, achou? Riward,pensa um pouco,depois ironiza:Um amigo morreu,e outro,em seu lugar,assumiu seu corpo, um completo maluco, o outro, está vivo, porém preso e daqui um mês seria julgado, não posso libertá-lo a força,ele disse que precisamos de um plano e não tenho ideia do que fazer. Eoriel aconselha:-Meu jovem, este é apenas o primeiro dia, poderá ficar conosco aqui em casa, podemos recebê-lo pelo mês inteiro e te daremos todo o apoio à missão, percebemos que é um homem de bem e temos inimigos em comum. Coma bem, descanse à vontade, saiba que é da família. Agora após o jantar, te ensinarei a ler,vai te ajudar no plano.
O velho intelectual leva Riward ao seu escritório, e aos poucos vai fundamentando os caminhos das letras. Primeiramente, ensina a pronunciar,assimilar e escrever as vogais. Riward estuda com empenho, enfrenta dificuldades, no início, seus músculos não eram seu único trunfo, tinha um cérebro privilegiado. Ao final da primeira aula,Sazania abre as portas e anuncia:-Eu tenho um plano. Professor e aluno olham atônitos enquanto ela detalha:-Vou me entregar ao Gojak, me aproximar dele para que possa ter acesso às chaves da prisão e possa soltar o Agromir e seus amigos Riward, não terá de arriscar sua vida e todos serão salvos. Eoriel fica sem reação. Riward vocifera:-Não pode ser! Essa luta é minha, essa missão é minha! Não aceito isso! Eoriel põe a mão na boca de Riward:-Pare! Esse é único plano que temos.
Simultaneamente,Gojak visita o Templo de Torcor. Gojak referencia o religioso e proclama:-Boa
Noite Santidade!Torcor saúda o Lorde:-Saudações Meu Senhor Gojak!Então saiu reajuste dos impostos de 20% ? Senhor corrige:- 2O% não, 25% para os camponeses e peões urbanos, 20% para os comerciantes 5% para os militares,e o merecido zere de sempre para o clero,não começou ainda.Torcor ri e completa:-E vão valer depois do Festival?. O vistante confirma com a cabeça e questiona:-Vim para uma razão gloriosa de muita importância para nossa terra,quais são os agouros dos Deuses?Torcor,resignado,assume:-As forças cósmicas estão em desordem, o último ataque ao Vale dos Espadachins trouxe maus presságios. Um menino amaldiçoado chegou à cidade. Gojak não assimila as palavras do sacerdote e desafia:-Que tipo de besteira está dizendo Torcor? O clérigo explana:-Gojak, o último ataque trouxe um menino desaparecido a muitos anos que por onde andava, trazia o Caos. Ele provocou uma grande seca oito anos atrás . Gojak, ligando os fatos:-Aquela que foi superada quando aconteceu o milagre da Fonte Encantada? Um pouco antes de eu ter contratado os homens para desocupar a Fonte?Torcor confirma com a cabeça. O governante ordena:-Quem é ele? Prendemos todos, diga qual deles é o mal agouro que executamos ele. O religioso corrige:-Ele não está preso, ele caminha entre nós. Gojak irrita-se com as palavras vagas do sacerdote e vocifera:-Preciso casar em um mês! É uma prioridade da nossa soberania, preciso de um herdeiro,quanto custará para purificar esse mal espírito?Vamos acabar com ele logo,preciso casar e depois retomar a campanha de guerra, os inimigos estão se rearmando. Torcor ironiza:-Algo em torno de seis mil moedas de ouro, é pechincha. Será um casamento feliz,tens minha bênção não se preocupe Senhor. Gojak gargalha e replica:-Sabia que tudo se resolvia, esqueça esse menino. Enuria é nossa, ninguém pode conosco,saborearei minha “cerejinha”o quão breve possível. Torcor sorri e completa:-Claro, graças a meu apoio,depois de noites adulterando documentos tributários. Gojak abandona o Templo e despede-se:-Boa noite,passar bem, preciso voltar ao Castelo,não esqueça de aumentar a dívida de Eoriel em 5%. O religioso abençoa:-Vá em paz,Senhor da Guerra, não esqueça de trazer amanha um pouco da água da fonte encantada para a Celebração.
Riward tem dificuldades para adormecer, mesmo cansado e em uma cama de qualidade. Sua vida mudara totalmente em menos de vinte e quatro horas,simplesmente por cruzar os portões de Enuria, não tinha mais para onde voltar, precisava vencer,em uma batalha que não venceria com os punhos, mas sim com a mente. Uma mente tão tenaz como uma espada. Com o pouco acesso acadêmico que acabara de ter, sua mente passou a ser mais livre,pensava mais rápido,mais intensamente, mais profundamente e nos mais diversos assuntos:Sua vida,seu passado,seu futuro,seu atual tutor Eoriel,seu tutor preso, o bem estar dele e de seus companheiros da tão amada Comunidade, falando em amada...Riward, frequentemente se via pensando em Sazania. Ela o cativava de uma forma que ele não compreendia, e nem lendo todas as obras da humanidade compreenderia esse fenômeno da natureza humana.
No dia subsequente, levantaram cedo e foram cuidar da banca. Entre um cliente e outro Eoriel
tomava algumas lições com Riward,que já articulava ,sem erro,sílabas simples. Mais tarde, visitou novamente a cela de Agromir, revelando o plano que estava sendo arquitetado. Agromir pede para que não voltasse a visitar tão seguidamente, podia levantar suspeitas. Riward volta para casa com Eoriel e Sazania, as vendas corriam bem.
Nas duas semanas a rotina seguia:Riward ajudava nas vendas e na segurança da carruagem, acabou conhecendo outras cidades,aldeias e portos, aos poucos seu universo se expandia. Em duas
semanas o universo de um espachim lavrador içava altos voos. Certo feriado, a feira, não abriu, por isso Eoriel ficou sozinho em seu escritório, fazendo a contabilidade das últimas semanas. Já Riward,graças ao seu esforço, já praticamente estava alfabetizado, só faltava desenvoltura. Pegou um livro ,foleava e tentava ler em voz alta seu conteúdo,sem gaguejar. Sazania, se aproxima oferecendo ajuda ao jovem aprendiz. Ela sussurra nos ouvidos de Riward:-Leia esse trecho, é bem curto,se concentre, já sabe,bem devagar. Riward então fita o trecho do livro, bem curto, uma frase de duas linhas. O espadachim respira fundo e começa a ler palavra por palavra, lentamente:-”.Eu vou vol-vol-voltar….epa!” Ela sussurra de novo:-Continua, está indo bem. Riward prossegue:-”Eu vou voltar eu por..pormeto..” Sazania corrige-o, pois era “prometo”. Riward, inspirado, relê a frase toda,:”.Eu vou voltar, eu prometo, pois longe de você sou uma espada sem fio”Sazania responde com um sorriso radiante, que só ela sabia fazer,Riward repete a frase, vociferando com firmeza. Ele era alfabetizado e eloquente. Sazania sai correndo,gritando que ele aprendeu a ler, foi até a cozinha buscar chá, para comemorar o feito do hóspede.
Rapidamente ela traz o chá para a sala principal onde Riward seguia lendo, o livro que mal ele percebera que era um romance,no qual o protagonista,recrutado para uma arriscada guerra, jurava sua amada que nunca a esqueceria, e que o esperasse para que possa voltar a viverem felizes. Sazania comenta:-Que rápido aprendeu, é impressionante como um homem tão inteligente passou tanto tempo capinando. Riward sorri para ela:- A vida no campo também exige inteligência, plantar na hora certa, arar o suficiente, regar a quantidade certa, saber quando colher.... ambos riem, era um momento de descontração que a tempos Riward não experimentava. Posso imaginar como ele queria que o tempo parasse naquela tarde ensolarada de temperatura amena . O perfume dela funcionava como um sedativo e analgésico,esquecia todas as dores do corpo e da consciência. Riward,sempre reservado diante de Sazania, acaba se abrindo:-Como eu queria que tudo nessa vida fosse tão simples que bastasse teu sorriso para superar qualquer problema. Sazania cora, ela havia lido aquele livro muitas vezes, era seu preferido na adolescência,enquanto sonhava com príncipes encantados e cavalos alados. Sabia que este trecho não pertencia à obra;portanto, era de autoria espontânea, no calor da hora,do próprio Riward.
Ela, nervosa, levanta-se e se retira. Riward não compreende a reação dela, e a segue:-Desculpa se te constrangi. Não queria de jeito nenhum. Ela nem sequer olha pra trás. Riward pega a mão dela delicadamente e repete:-Por favor, pode ao menos, dê um sinal que ouviu meu sincero pedido de desculpas? Sazania vira-se de frente para Riward e lamenta:-Por favor,Riward, não me diga isso agora...agora que meu destino foi traçado. Riward abraça-a:-Não, eu não vou permitir...Sazania lacrimeja:-Não faça isso mais difícil. Os dois se soltam. Riward manteve o olhar fixo e confiante diante dela.
À Noite houve um festival, a Festa da Fonte, um dos poucos eventos cívicos de Enuria.Seu motivo é o “milagre da fonte”.Eoriel,Sazania e Riward saem juntos onde, seria feira durante o dia,toda decorada e lotada, onde havia música e dança, casualmente, eu, o trovador, fui contratado para tocar naquela ocasião. Gojak me contratou para animar o festival, onde desfilariam duzentos homens de sua guarda pessoal,comandada por ninguém mais, ninguém menos que Treom. Torcor recitava lendas de uma Fonte Encantada,sobre a qual ergueram o castelo de Gojak, oito anos atrás, quando foi colonizada. Riward reconhecia aquela história,estava ansioso para sacar sua espada, e não sei se por sorte ou azar, o desfile das tropas iniciou. Caso contrário, Riward teria matado a todos nós ,porém fui ordenado para parar de tocar minha alaúde, assim os trombeteiros e os percussionistas monopolizavam os ouvidos de todos; enquanto a vistosas armaduras de Treom e seus homens, os olhares.
Riward, mais enfurecido ainda sai correndo, corre sozinho de volta para a casa de Eoriel. Sentia-se incapaz,pois não podia agir conforme sua vontade naquele momento. Não podia calar o falacioso clérigo,nem podia salvar seus camaradas,tampouco vingar seu carrasco, sequer defender seu amor, pois seria subjugado pelo poderio militar do déspota Gojak. Sentia-se pequeno, sentia-se fraco,sentia-se impotente,sentia-se indefeso. Desesperado,beirando ao completo delírio, se fecha na casa e procura respostas,sem sucesso em inúmeros livros, ininterruptamente, devorara páginas e páginas sem saber de fato o que fazer, até adormecer pela manhã.
Ainda na festa Eoriel e Sazania ficaram apreensivos com o sumiço de Riward. Saíram a procurá-lo, ainda na rua central. Não o encontravam de jeito nenhum. Do alto da torre Gojak observava, embriagado por seu sádico prazer. Eoriel, que caminhava próximo aos cantos da rua, no local onde operavam as feiras durante o dia, carregava uma garrafa de cerveja vazia. No meio do tumulto da festa lotada, ele deixa a garrafa cair, o comerciante, assustado, se retira correndo. Minutos depois, um homem discretamente, deixa cair uma tocha, sobre a banca onde a garrafa caiu. A banca é incendiada,juntamente com as bandeiras de decoração, o fogo espalha-se rapidamente. Pai e filha correm desesperadamente para casa,fugindo do caos.
Dia seguinte, o assunto do dia é o incêndio do Festival, que pôs fim definitivo à festa, apesar das cinzas e do caos, as bancas ainda intactas voltaram a funcionar normalmente, o que por sorte, foi o caso da de Eoriel. Ele e Sazania vendiam tranquilamente, Riward não conseguia pensar em mais nada além de ler e treinar. Tudo isso para não explodir sua fúria,lia de tudo: Romances, filosofia, história,atlas,ciência,medicina, e até dicionários. Como o tempo passava agregar noções filosóficas e sociológicas ao modo de vida da Comunidade.Aquele seria um dia normal de vendas se não fosse a nova visita do Senhor de Enuria à banca,rodeado de soldados em suas imediações, já com o florete na mão, ironicamente cumprimenta o proprietário da banca,apontando-lhe a espada:-Bom dia,grande comerciante, como vão os lucros, meu amigo? Eoriel responde:-Mal podendo empatar a despesas. Gojak prossegue:-Hum, entendo, e como vai minha noiva querida? Sazania nem sequer olha nos olhos negros do Lorde, em compensação, o espachim encapuzado joga um furioso olhar diante do aristocrata. Gojak questiona:-Quem é este jovem? Eoriel replica:-Meu aprendiz. O Senhor de terras ri, e indaga:-Mal pode suprir as despesas e mantêm um aprendiz,o senhor é uma piada, não sabe nem fingir. Ou acha que não vi o seu atentado incendiário? Seu vendedor mesquinho! Riward irrita-se com o abuso do governante, mas Sazania segura sua mão,discretamente. Gojak retirando-se ultima Eoriel:-Não vou deixar passar mais uma, como sei que não vai pagar esse prejuízo do incêndio de ontem acho bom aprontar logo minha noiva,pois casaremos semana que vem. Caso não esteja tudo em ordem... Sua casa pode amanhecer em chamas, sabe, acidentes domésticos acontecem. Ao sair Gojak cospe nos grãos da banca. Eoriel tratou de providenciar o vestido da noiva,mal o tirano sabia da conspiração que de fato estava por vir.
Na véspera do casamento, segundo a tradição a noiva visitava o Templo da Ordem para confessar
qualquer pecado e purificar-se para uma vida conjugal. No dia Eoriel não trabalhou. Riward já lera praticamente tudo que seu tutor possuía desenvolveu uma intensa paixão pela leitura. Não se conformava com a ida de Sazania à confissão diante de Torcor, por isso , passou o dia numa taverna, bebendo cerveja. Certa feita, alguns vadios discutiam sobre o governo, um deles dizia:-Grande Gojak, esse era o Rei que eu queria, ele põe respeito no laço. Outro comenta:-E não deixa esses bárbaros por aí viverem à margem da ordem e da disciplina. Riward começa a se irritar com aqueles comentários. Algumas cervejas depois o assunto se seguia. Também algumas cervejas depois,perde-se o senso de inibição. Um dos bêbados, exaltado glorifica o governo:
-Ele não deixa nenhum camponês vagabundo cantar de galo, já desce … Mal conclui a frase e Riward o interrompe:-CAMPONÊS VAGABUNDO?BÁRBARO?Não me faça rir!Na verdade quem ri são os próprios vadios, um deles desafia Riward:-Com quem pensa que está mexendo, sai daí e não olha pra traś, se não fica feia a situação. Riward prossegue:-A terra é coletiva e o papel do Governo é garantir o bem estar de todos... É o que dizem os sábios! O bêbado ridiculariza:-Cala a boca marica!Riward ignora e continua:O bem estar dos homens unidos! O bêbado, perdendo a paciência corre em direção a Riward para batê-lo, mas antes sequer de encostar seu adversário, é socado e cai de costas ao chão.
Todos os outros abismados levantam e cercam Riward, que simplesmente defende e contra-ataca cada um com pouca dificuldade, quando o taverneiro apita, chamando guardas armados. Riward, antes de ser cercado ,foge pela janela, ainda coberto por seu capuz, correndo pelas estreitas ruas de Enuria. Os guardas identificam o “meliante” e o perseguem. Riward, sem escolha se vê obrigado a puxar a espada. Os guardas com seus sabres não oferecem desafios ao valente guerreiro. Mesmo bêbado, mantinha bons reflexos e golpes consistentes, facilmente derrotando seus adversários. Todavia, chamavam reforços. Riward corria de costas e golpeava seus perseguidores mais próximos. Tempo depois se depara com o Templo, onde se esconde, esperando não ser atacado.
Lá dentro, enquanto isso, acontecia o ritual de purificação da noiva. Iam sendo feitas diversas perguntas, a maioria delas inúteis e de ordem extremamente pessoal. Torcor tentava ler os sonhos de Sazania, tentava identificar alguma impureza. Ela dava respostas vagas ao religioso. Torcor então parte para perguntas mais objetivas:-Está casando por amor ou interesse com Lorde Gojak? Sazania,forçada pela ocasião,responde:-Por amor. Torcor, pousa a mão sobre o joelho dela e prossegue:-Muito bem, nunca se apaixonou por homem nenhum?a noiva, replica:-Só ele. Torcor sabia que não era verdade, prosseguia o interrogatório, enquanto deslizava lentamente sua mão na perna da jovem:-Como se imagina no futuro? Sazania, desconfiada do religioso diz:-Vou lhe bater, caso não tire essa mão! Torcor, frustrado tira a mão da coxa da jovem e puxa, do cinto da batina uma adaga, usada em certos rituais e lhe aponta:-Moça, abra seu coração para mim, sou um homem de Deus!Não admito tamanha desobediência! Ele com a faca rasga a camisa de Sazania, descobrindo- -lhe o peito. Torcor tenta violentá-la, até um agudo grito reverberar por todo o Templo.
Riward, escondido no altar do Templo, ouve o clamor de socorre de Sazania, apesar de nem lembrar que ela estava no local. Ele, sem o menor pudor, arromba a tranca da porta da sacristia com um chute e observa a asquerosa cena:Menos de um segundo depois, Riward dispara e aplica um pesado soco no clérigo quebrando sua mandíbula. Torcor tenta se levantar e praguejar:-Maldição...
Menino Maldi... Riward pega Torcor pela gola com uma mão e o levanta, com a outra, crava a espada no tórax da sua vítima.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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Adorei, a cada capítulo que passa fica mais interessante.
ResponderExcluirBom trabalho.