quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Capítulo II: Comunidade

Capítulo II: Comunidade
Naquela decisiva noite o humilde menino do campo Riward foi salvo por Agromir das garras dos temíveis saqueadores que a todos matavam e pilhavam. Em seguida ele passaria pela primeira grande mudança de sua vida, que fará toda a diferença. Perdoem-me por não dar muitos detalhes deste período em diante pois apenas sei dos fatos por meio de relatos orais.

Agromir, montado no cavalo abandonado de Treom, leva consigo o pequeno Riward morro acima com seus companheiros,próximos ao pico, deram a volta e avançaram através de uma estrada simples morro abaixo. A viagem era longa e cansativa,chegaram perto do amanhecer, a um vale, em meio a quatro colinas,coberto de uma extensa relva verde e vívida,com dois rios que desciam das montanhas ao seu redor, a medida que se aproximavam, pessoas já trabalhavam a terra ,porém com um semblante feliz, naqueles belos campos daquela terra fantástica, própria de um reino mágico,eis o Vale dos Espadachins. Todos comemoravam a chegada de Agromir e seus homens da vigia noturna,todos fitaram o menino montado em seu cavalo, o líder diz:-É nosso novo companheiro, é um herói, deixem o passar, ele deve descansar, retomem o trabalho, daqui um pouco volto para ajudar na caçada.

Algumas horas depois Riward acorda, em uma rede amarrada entre dois pilares de madeira em uma humilde cabana,semelhante à sua casa em Enuria, nunca havia dormido em um lugar desses,queria saber o que aconteceu e como foi parar ali. De repente, surge uma mulher de estatura mediana, pele bronzeada,em torno de trinta e cinco a quarenta anos, com um corpo escultural com um prato de comida em mãos. Ela,carinhosamente se aproxima do menino e oferece o prato contendo um pedaço de peixe e um pouco de grãos de soja além de um copo de água e diz:-Coma, dormiu muito tempo,deve estar com fome. Riward, surpreso com a atenção oferecida a ele pergunta:- Muito obrigado moça, qual teu nome? Ela, sorrindo se identifica:-Obrigada pelo “moça”,sou Madelia, mulher de Agromir,ele pediu pra cuidar de ti, adoro crianças, ele já volta. Riward come com voracidade, fazia muitas horas que não comia, ainda mais algo diferente de pão velho e carne seca em casa, estava curioso, perguntou:-O que o Agromir foi fazer?Madelia, relutante,diz:-Ele foi... caçar. Riward levanta-se da rede,agradece novamente a comida e a água e observa a janela, vê todos trabalhando na roça com sorriso no rosto e em completa harmonia, assim sua mente curiosa entra em questionamento e manifesta-se para Madelia:-Aqui é tão diferente, todos estão felizes no trabalho,é tão legal essa rede de dormir,mas o que não entendi é porque o Agromir, que é chefe, está saindo para caçar, por que ele está trabalhando? Madelia ri e explica:-Não sei o que tem de errado, nem o que seu povo fazia, mas o chefe é quem mais trabalha, o Agromir levanta cedo todo dia para verificar a lavoura e cumprimentar o pessoal, prestar ajuda para quem precisa,carrega as sacas de grãos até o sol chegar ao topo ,depois de alguns exercícios físicos e treino ele sai com os rapazes para caçar até o anoitecer, e ele participa da vigia noturna quase todo dia,caso contrário, apenas quando todos estiverem em casa, ceando tranquilos ele volta para casa.Riward fica impressionado com a disposição de seu salvador,percebe algumas semelhanças com Torcor, como aquele que consola as pessoas assim pergunta novamente:-Ele é um sacerdote? Madelia ri novamente e informa:-Como faz perguntas, que criança curiosa,não temos sacerdotes aqui,ele é um homem do povo, ele dá tudo de si, em troca do bem estar de sua comunidade.

Riward nunca ouviu este termo,”comunidade” e novamente questionou:-O que é comunidade? Enquanto a mulher articula o conceito, chega seu marido e responde antes dela:-É o conjunto de todos os habitantes da aldeia que formam uma grande família que um sempre apóia o outro,nós dividimos tudo que temos,sempre estendemos a mão aos camaradas,estamos sempre unidos, homens, mulheres, crianças,no trabalho, no descanso,na festa,na batalha ,assim superamos tudo.

Riward fica maravilhado com o a ideia,era muito diferente do que se passava em Enuria, passou a ver Agromir como um exemplo para si,o que queria ser quando crescesse,entusiasmado, perguntou sobre a caçada. Agromir sabendo que não tinha escolha contou-lhe a verdade:-Desculpa, eu menti para ti, pequeno herói,quis te proteger, pelo menos Prometo que isso nunca mais se repetirá, não sabia que já estaria em pé essa hora, mas como já é um homem de espada vou te dizer a verdade, como merece, vai doer:Assim que te deixei descansando aqui, eu peguei o cavalo e corri para Enuria, ver se encontrava tua família, encontrei muitos corpos no chão,todas as casa foram queimadas, não encontrei ninguém com vida naquilo, só uma estranha casa com um meio círculo no topo, completamente intacta, com as portas fechas. Riward identificou o Templo de Torcor, com um certo alívio. Agromir prosseguiu:-Então, não posso garantir como estão teus pais, mas posso eu e a Madelia ser seus pais por enquanto,por favor, camarada, aceite, a anos tentamos ter um filho...Riward lacrimeja ou ouvir palavras tão acolhedoras do casal,apesar da situação adversa, tem esperança que seus pais biológicos estejam vivos, e abraça seus “novos” pais,em um contrato de adoção que nenhuma cláusula documental poderia registrar. Agromir e Madelia, mais contentes ainda, chegaram à conclusão que seria o dia mais feliz de suas vidas, o da chegada do filho.

Em seguida a nova família saiu de casa e trabalharam juntos na roça, Riward, acostumado com a pressão de todos lados,sentiu-se livre,e foi bem acolhido e incentivado por todos. Agromir,assistia com orgulho a dedicação do garoto,planejava treiná-lo como guerreiro a partir do dia seguinte e declarou com orgulho,frente a aldeia toda:-Ele é meu filho! Meu herdeiro!Seu nome,não esqueçam é Riward! hoje teremos festa à noite!O sol se pôs,Agromir ordenou a abertura do barril de cerveja e o assamento de alguns javalis, em suas tradicionais festas, toda a comunidade participava, dançava, cantava e vibrava, aos olhos de Riward, seria o análogo antípoda dos cultos monótonos de Torcor.Todos os brindes daquela noite estrelada de lua cheia foram em homenagem ao novo companheiro.

No dia seguinte, conforme planejado por Agromir, após assumir suas responsabilidades matinais na colheita e misturar algumas ervas para o chá de uma senhora doente e afiar a espada de um dos seus guerreiros, chamou o menino para iniciar seu treinamento como guerreiro. A primeira coisa que o ordenou foi capinar na roça, o menino, achando que iria ser explorado protestou:-Pai, porque eu vou trabalhar, não iria aprender a espada? Agromir respondeu: Isso é a primeira parte,é para aquecer os braços e os ombros, eu te ajudo, só não pode parar. Riward capinou a manhã toda junto com a comunidade, foi muito cansativo, porém estava adaptado e ansioso para as próximas etapas.

Almoçou após as longas horas de trabalho, logo em seguida Agromir levou a um ponto mais isolado com outro guerreiros jovens,em treinamento onde ordenou exercícios de alongamento e meditação, com a finalidade de melhor a concentração e o equilíbrio,em seguida mandou-os fazer alguns apoios. Uma hora depois Agromir deu a Riward e aos outros aprendizes algumas clavas de madeira e os instruiu nos movimentos básicos de bloqueio e ataque. Riward, um tanto desengonçado, errava alguns movimentos e evitava atingir diretamente seus colegas,Agromir, compreensivo, porém bom professor, ordenou que repetisse quantas vezes fossem necessárias, com o tempo sabia que Riward dominaria tudo aquilo.

Depois dessa aula Agromir os levou mato a dentro, para uma caçada e decretou as regras da selva:-Riward, como é novo aqui precisa aprender algumas regras, por favor nunca as descumpra, a natureza é delicada, mas não podemos baixar a guarda, nem abusar dela, se não nós perderemos tudo. As regras são essas: Nunca se separe do grupo, por motivos óbvios, basta lembrar da emboscada que te salvei;Só cortem árvores se puderem plantar mais duas,se não não teremos árvores depois;não joguem nada nos rios, é água deles que vamos beber; quando caçarmos um animal tenha certeza que ele é grande o bastante para resistir, além de ser uma covardia matar filhotes, não teremos animais grandes depois;se aparecer um lobo, um urso ou uma pantera não se mexam,se ele atacar eu mato com minha espada. Fui claro? Todos confirmaram as regras, e seguem juntos espreitando em meio às matas fechadas, apesar do tempo que levaram os aprendizes apenas capturaram um cervo, do qual Agromir o assustou e fez correr em direção aos meninos escondidos na moita e aplicaram golpes de clava, derrubando animal que seria seu futuro jantar.

Após um dia cheio Riward jogou-se à rede,descansaria para um segundo dia de treino. Agromir orgulha-se do filho adotado, o qual rapidamente se adaptaria ao Vale dos Espachins e logo,logo o acompanharia nas vigias noturnas, como a daquela noite. O líder se despede da esposa e sai a caminho do dever. Assim Riward foi treinando e praticando as atividades cotidianas nos dias subsequentes, moldando seu caráter e seu corpo. E o tempo voou, como o falcão que cruzava os vales, cortando os céus matinais.

Passaram oito anos, a Aldeia dos Espachins prosperava unida. Riward muito mudou, agora era um homem adulto,mais precisamente acabara de completar dezoito anos e seria feita sua festa de maioridade, e nomeado oficialmente, como Espadachim,ganhando sua própria espada, da qual o próprio Agromir fez questão de forjar. Riward ficou alto e forte,as mangas de sua camisa quase rasgavam ao circunscreverem seus braços musculosos,pesava em torno de 90 quilogramas, deixou seus cabelos crescerem e já manifestava uma curta barba .Não só ficou forte, como também se tornou um homem justo e disciplinado, graças ao treino do dedicado Agromir.

Ao raiar do sol, o jovem guerreiro vagava pelos campos verdejantes e ouvia as vozes da selva,a brisa matinal chicoteava seu rosto , sentia-se livre,sentia-se parte daquele todo,sentia-se como uma força da natureza. Após um longo dia de colheita e treino a noite chegou e a festa iniciou, Agromir, envelhecido e cansado pelo peso da responsabilidade assumida,principalmente devido aos recentes ataques ao vale, de soldados do Governo, que viam a aldeia como uma célula rebelde,por não pagar impostos. Todavia,nunca deu-se por vencido, e anunciou que teria uma surpresa ao filho adotivo. Todos da aldeia sentaram-se em roda em torno da fogueira aguardando o momento da celebração da maioridade, enquanto bebiam cerveja. Riward chegou ao centro do círculo, em frente à fogueira, onde eram assados peixes, especiais para a festa. Madelia,sem perder a beleza que tinha com o passar dos anos,orgulhosa entregou ao filho uma caneca de cerveja, como primeira etapa do ritual da maioridade. Riward saboreou com prazer o fermentado,lentamente bebeu todo o conteúdo da caneca, todos o aplaudiram. A segunda e definitiva etapa do ritual foi celebrada por Agromir,que ordenou a todos os guerreiros para erguerem as espadas ao céu e recitarem o hino de glória com ânimo e desenvoltura , se aproximou do filho adotivo e desenbanhou em sua frente a espada feita por ele mesmo: uma imensa folha de aço, da quase da altura de Riward ,afiada a ponto de cortar até pensamentos, pesada e grossa o bastante para arrebentar qualquer armadura, mas leve o suficiente para um braço forte brandí-la com qualidade com uma ou duas mãos, Riward a empunha com honra e a ergue junto com os colegas, cantando o hino. Ao final da cantoria Agromir solicita:- Meu filho, gostaria de pedir duas coisas a ti antes de seguir a festa:Gostaria que a partir de hoje, compartilhe comigo o fardo de liderar a Tribo dos Espadachins, principalmente no quesito da defesa, como já é um grande guerreiro,e também gostaria que aceitasse um duelo entre eu e tu, para que possa testar a nova espada,lutaremos de bainha, para evitar acidentes, ganha quem acertar três golpes,é apenas uma demostração, nem precisa ser forte. Riward embainha a espada e se posiciona, aceitando o desafio paterno,Agromir saca sua espada, não tão grande e pesada como a de Riward mas boa o bastante para torná-lo por quase trinta anos, invencível.

Ambos postos frente a frente iniciaram o tão esperado duelo, um bloqueava o ataque do outro, todos empolgavam-se ao assistir cada movimento,apesar de ser um duelo de demonstração a dedicação com a qual lutavam era como se fosse de vida ou morte, a vitalidade da juventude contra a experiência da maturidade em completo empasse, até o momento que a experiência falou mais alto. Agromir acertou uma estocada no abdômen do jovem guerreiro, Riward, entretanto não se abalou e contra-atacou com um golpe lateral,rapidamente o sábio Agromir defendeu com sua espada rápida. Sentindo a brecha aberta Riward ergueu a espada e atingiu o seu tutor no ombro. Agromir caiu sentado e sorridente ao chão,sentiu o espírito valente do garoto, Riward estendeu a mão para levantá-lo e voltaram à luta, todos aplaudiam a dupla, viam em Riward a perpetuação da qualidade de vida de sua comunidade,era isso que ele queria mostrar, que era digno de tamanha honra. A honra de defender aquilo que mais amava: A comunidade,a qual tão bem o acolheu. Riward acertou novamente Agromir dessa vez na perna, Agromir, sentindo-se “ameaçado” começou a lutar mais agressivo, queria mostrar se um desafio ao filho, que ele deveria superar com dificuldade,assim ao ser atacado novamente, golpeou a imensa espada do filho e em um movimento giratório acertas costas de Riward.

O empate se restabeleceu entre os dois que continuavam a luta apenas com o olhar, começavam a cansar e temiam se machucarem, decidiriam e um golpe cada um correu em direção ao opositor, como todas as forças e aplicou seu golpe. Quem acertasse primeiro, veceria, não deu tempo de esquivar, ambos atingiram-se em um espetacular desfechou aplaudido por todos. Ambos ergueram-se juntos e levantaram as espadas ao céus. A festa voltou todos beberam e cantaram felizes.

A partir do dia seguinte Agromir e Riward dividiram tarefas,o jovem cuidava da colheita, da pesca e das caçadas e da extração de lenha e frutas, enquanto o ancião incumbiu-se da defesa interna,do treinamento dos jovens, da forja,da tecelagem,e da da cerâmica. Ambos revesavam a vigilância e o auxílio comunitário, suas tarefas favoritas. Uma noite uma carga de cavalaria, pagos para matar os espadachins ameaçaram invadir o Vale, Riward em seu dia de vigia, junto com os seus colegas espachins, resistiram, não se intimidavam com o maior número de inimigos, o estilo de luta de Riward era ousado e altruísta, jogava-se a frente de todos e desafiava vários inimigos juntos, cortando dois ou três homens de uma vez, graças a espada longa e pesada que possuía , apesar do risco, raramente era ferido, e impedia que muitos companheiros se expusessem, o que preocupava o velho Agromir. Com a derrota iminente os inimigos recuavam, e relatariam a todos sobre o jovem guerreiro poderoso.

A cabeça de Riward estava a prêmio na antiga pátria. Entretanto, Riward jamais abriria mão da Comunidade, por nada nesse mundo, apesar dos ataques serem cada vez mais frequentes. Certo dia Agromir repreendeu:-Riward, não pode deixar um inimigo fugir daqui, ele indicará a localização da comunidade, nós só estamos vivos porque vivemos escondidos. Ontem na minha vigia, chegaram muitos soldados, morreram dois dos nossos. Riward logo foi percebendo que nem tudo era flores no Vale dos Espadachins, com a maturidade não perdeu a curiosidade e questionou Agromir:-Agora acho que sou grande o bastante para saber, afinal o que esta acontecendo,porque vivemos escondidos, como criminosos? Agromir,percebendo que foi rígido com o herdeiro então explanou:

-Pois é. O fato é que essa vida comunitária não agrada o Governo, porque eu e você acabamos governando essas terras por conta própria, para eles nós todos devemos nos submeter como cordeiros, cordeiros das leis e dos abusos sofridos no teu vilarejo. Riward então pergunta mais uma coisa:-Tenho mais uma curiosidaed, depois de todos esses anos, nunca me disse, como nasceu essa comunidade?Como se tornou quem é? Como conheceu Madelia? Agromir senta-se em um banco e revela:-Bem, aguardei que perguntasse a respeito, nossa história é um tanto curiosa,trinta anos atrás,fui recrutado para a guerra, contra o mesmo inimigo de sua época, lutei muito, matei centenas de homens, homens de valor e integridade, dos quais não mereciam ser mortos naquele mar de lama de reis covardes. Já que percebi que se tratava de uma guerra sem causa justa eu me juntei com vários espadachins e nos escondemos nesse vale, trabalhamos muito, alguns civis se juntaram a nós espontaneamente,e aos poucos várias famílias formaram a comunidade,me dediquei dia e noite à essas terras, a comunidade crescia, e sempre fiz questão de manter a colaboração por parte de todos,colaborar um com outro e preservar nossos recursos naturais, além de defender nosso anonimato, a anos somos procurados pelo Reino. Dez anos depois em uma das vigias noturnas salvei uma moça de seus vinte anos de idade de um bando de bandidos que queriam violentá-la,levei para a comunidade,e assim ela extremamente agradecida e maravilhada com nossa estrutura justa apaixonou-se por mim e casamos, tentamos fazer filhos, porém nenhum vingou, até o dia que te encontrei e te adotei, o resto já sabe. Riward olha para o tutor com sorriso no rosto :-Pode contar comigo, não vou deixar nada acontecer, eu quero eternizar essa história!Agromir se impõe:-Terá que tudo de si mesmo de agora em diante, eu irei participar das suas vigias também, para garantir nossas vitórias. Riward protestou:-Mas pai.... é muito arriscado. Agromir replica:-Prefiro morrer a virar refém desses canalhas. Assim se sucedeu, as incursões não paravam,pai e filho se dedicavam diariamente à defesa do Vale, junto com os virtuosos Espachins. Cada dia a crise se agravava, até Madelia se encarregou voluntariamente de administrar a colheita. A Comunidade precisou se desdobrar ao máximo, manter-se mais unida, para garantir sua liberdade, não era possível migrar pois estavam sitiados, era resistir ou morrer.

Depois de quase um ano de estrangulamento, chegou um destacamento real, armado até os dentes , desceram o vale, com a mesma violência insana dos bandidos em Enuria, que tanto traumatizou o guerreiro Riward, que jurou resistir até a vitória final, comandou a linha de frente, mutilava todos os inimigos à sua vista, todos brandiam armas, até as mulheres se mobilizaram, Agromir , sacando duas pesadas espadas dava todo seu sangue para proteger sua comunidade que cultivou por quase toda sua vida.Os virtuosos Espadachins eram minados por assassinos sem honra alguma, não eram os cavaleiros do rei que Riward ouvia quando era pequeno, eram tão bandidos quanto Treom.

Apesar dos esforços sobre-humanos, a derrota era iminente para a Comunidade, os guerreiros sediam, os que não morriam, cansavam e eram desarmados, sequestrados pelos inimigos, para o fim de escravizá-los. Certa momento Madelia é capturada por um dos invasores. Agromir,ferido e cansado persegue o cavalo a pé, precisava salvar a esposa a todo o custo,mas acabou sendo golpeado com uma maça na cabeça, ficando inconsciente,dessa forma,o lendário líder da comunidade rebelde foi capturado.

Consequentemente o comandante da chacina ordenou a retirada, não haviam quase sobreviventes, o único a não ser capturado foi Riward, que matou todos que o desafiaram, e sobreviveu ao segundo massacre de sua vida. Não sabia se era sorte ou azar,só sabia que sua amada Comunidade se fora, e o máximo que podia fazer era segui-los e ,numa missão suicida, salvar seus tutores e seus concidadãos.,Banhado de sangue alheio, pegou um cavalo e seguiu desesperadamente os seus odiados inimigos,mataria todos se fosse necessário.

Há anos que não abandonava o Vale,mas reconheceu o trajeto, daquele semelhante dia fatídico do dia em que um sonho morreu e outro havia se materializado,porém chegou ao fim do prazo de validade. Riward concluiu que sua sina é esta: lutar sozinho, até a morte,pois todos ao seu redor, são mortos. Portanto, queria morrer nessa manobra,morrer consciente que tentou salvar aquele que o salvou. Os invasores seguiam a estrada que teoricamente dava em Enuria,todavia a imagem que surgiu não parecia nem um pouco com Enuria: Muros de pedra altos, rodeados de torres, e um imenso castelo em seu centro, entre os muros os inimigos sumiam, por trás dos portões que se fechavam. Riward descobre a verdade: Aqueles cavaleiros, em verdade,eram os bandidos, que pilharam a antiga Enuria, e aquela, sua fortaleza, sobre os escombros de Enuria.Eles estavam no poder e tiraram tudo do homem. Tamanho o desespero que o jovem resolveu cometer suicídio, se atirando de cabeça do lombro do cavalo.

Por estranha ironia do destino,sua tentativa fracassara. Ao chegar ao chão percebe que caiu sobre um objeto estranho que amaciou sua queda. Riward, mesmo no fundo do poço e com um galo na cabeça, sua mente era curiosa e começou a examinar aquilo,enquanto aguardava uma chance de atravessar os portões: a camada de fora era grosso, mas era flexível, por dentro era fino e delicado, dividido em várias camadas brancas,ao abrir, percebia-se símbolos estranhos desenhados, ora juntos, ora separados, ora sequências mais longas, ora de um símbolo só. Ao olhar as várias camadas brancas, identificava algumas imagens:Um homem, uma esfera marcada com contornos e linhas cobriando os contornos, mais adiante muitas árvores,depois alguns homens cultivando, não sabia do que se tratava, mas não perdia o interesse num estranho objeto que mal ele imaginava que se chamava livro.

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