
Pessoal acabo de voltar como observador do CONEB da UNE, lá no Rio de Janeiro, em uma viagem cansativa, mas com a presença dos melhores companhias possíveis, os companheiros,dos coletivos Romper o dia,levante vamos à luta, além, de valorosos independentes, que hoje atuam no DCE da UFRGS e da oposição de esquerda à UNE, que infelizmente não está mais defendendo a pauta dos estudantes e da sociedade brasileira.
Desta viagem foi muito importante para meu amadurecimento como militante e como ser humano, ao presenciar as contradições sociais da chamada "cidade maravilhosa" a segregação social, a cr4minalidade,o descaso político etc.
Sem esquecer de destacar o grande prazer de conhecer o trabalho nacional do meu coletivo, Romper o dia, principalmente os companheiros de São Paulo e do Pará.COMBATEMOS O DESCASO GOVERNAMENTAL COM A PREVENÇÃO E O RESGATE DAS VITIMAS NA TRAGEDIA DA REGIÃO SERRANA,O ABUSIVO AUMENTO PARLAMENTAR E A CONSTRUÇÃO DA USINA DE BELO MONTE. Inclusive encaminho a vocês o texto de um companheiro paulista com seu balanço pessoal:
Intervenção Percepção e Denuncia
o dia 15 ao dia 18 desse mês, fui à cidade do Rio de Janeiro, como observador do CONEB - Congresso Nacional de Entidades de Base da UNE.
Apesar do espaço, onde reina a alienação, pude participar de algumas situações que, posso dizer, ficarão para sempre comigo, me fizeram refletir muito.
A primeira delas, um debate com a Senadora Marinor Brito (PA), do PSOL, que discutiu a importância da reforma política no Brasil, contrariando, com muita firmeza e com um debate muito qualificado, uma bancada majoritariamente governista, que contava com a ilustre presença do ex-presidente do PT, José Genoíno.
A segunda e a mais marcante, uma obra das probabilidades da vida (ou destino, para os que preferirem): Decidimos conhecer a praia do Leme, então pegamos o ônibus 127, próximo à Igreja de Santo Cristo. Nas últimas cadeiras, 5 adolescentes, que deviam ter no máximo 17 anos, suspeito, estavam conversando e rindo. Mal partiu o ônibus, começaram a cantar:
“Eu sou brasileiro, sou do Rio de Janeiro, Demoro, eu sou funkeiro sim. Oi por favor, deixa eu passar. Sou discriminado mas também sou educado, minha mãe me deu educação, e me botou pra estudar.”
Até aí, tinha gostado da animação dos garotos. A viagem se tornou mais agradável, e comecei a pensar em discussões que participei anteriormente sobre o funk, sobre seu papel enquanto arte, na aula de Teoria e Métodos em Geografia.
Na mesma noite, participamos de um debate com o Deputado Federal Marcelo Freixo, do PSOL-RJ, e com o MC Leonardo. O deputado, que teve papel importantíssimo em mostrar para as pessoas o que de fato aconteceu na “pacificação” do Complexo do Alemão, os reais motivos para tal invasão, nos inseriu, ainda num outro debate: A criminalização do Funk.
Com as falas do MC e do Deputado, confesso que me constrangi à medida que me ajudavam à desconstruir o pensamento que, até então, reproduzia sobre o Funk. Com o intuito de barrar as denúncias sobre as péssimas condições de vida, sobre o tráfico de influência, dos acordos entre a Polícia e os traficantes, da ação desumana das UPPs, com a necessidade de silenciar a voz dos que tem a coragem de “usar a sua arma, o microfone” e sua munição, “a sua voz” para mostrar ao mundo a bárbarie das favelas, o governo utiliza-se da mídia para fazer algo semelhante à Alemanha nazista de Hitler. Faz uso de uma “política do medo” segregacionista para convencer a família brasileira de que é preciso invadir as favelas, prender jovens cantores, matar inocentes, simplesmente por dividirem o morro com traficantes. (Como se a culpa fosse deles…)
Utilizam-se ainda, oportunistas que são, de um preconceito social e racial sobre o Funk, que tem origem na época da colonização, onde a casa do senhor perseguia os escravos pelos batuques da senzala, e que é reproduzido até hoje.
Se esquecem, porém, como disse o próprio MC Leo, que em um passado não muito distante, o Samba também foi perseguido, proibido, criminalizado. Justamente por ter esse caráter de denúncia.
Uma terceira situação foi a Plenária Final do Congresso. Propostas encaminhadas, defesas feitas, algumas politizadas, outras alienadas e alienantes, uma juventude majoritária e cega que se nega a fazer luta. Contradição gritante, quando o mote do Congresso era: “Nas ruas de hoje, o Brasil de amanhã.”
Por fim, após quase 2 horas de ônibus, fomos do Leme ao Pontal (não tem nada igual!), e numa última ida à praia, vi uma imagem que gostaria de ter registrado: De dentro do mar, vi um contraste. Imagem que seria lindíssima, se não fosse nojenta. Um hotel Sheraton, 5 estrelas. Blindado. Atrás dela, uma favela gigante.
Uma tremenda dose de realidade para mim, essa viagem, que nunca tinha ido ao Rio. Mas, como bem colocou uma companheira, que muito me ajuda e muito me inspira, “Uma tremenda dose de realidade, que neste caso também coincide com ânimo para seguir lutando!”
Fonte:http://glindenbach.tumblr.com/



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